Dia 27 de Abril de 2011 foi lançada a versão 11.04 do Ubuntu, AKA Ubuntu Natty Narwhal.

Para quem não conhece o animal homenageado da vez, o narval é uma espécie de Cetáceo que possui um longo chifre (na verdade um dente adaptado), que por muitos séculos foi utilizado (o chifre, não o animal) como pega-trouxa, como um genuíno chifre de unicórnio.

Narvais em seu ambiente natural.

As principais novidades são as seguintes:

  • Substituição do Rythmbox pelo Banshee;
  • Firefox 4;
  • Libreoffice no lugar do Open Office;
  • Ubuntu One (o serviço de hospedagem de arquivos na nuvem da Canonical) muito mais maduro;
  • Barra de rolagem "flutuante";
  • Plugin para Compiz Unity substuindo os painéis padrões do GNOME.

Sem dúvida a substuição dos paineis padrões do GNOME pelo Unity foi a mudança mais polêmica. Ainda mais quando muita gente estava esperando o prometido GNOME 3.

Mas será que a polêmica é válida? É isso que vamos descobrir nesta análise!

Vem comigo!

Unity, uma mudança de paradigmas

Assim como o GNOME 3, o Unity vem com uma proposta de modificar aquilo que conhecemos como interface para Desktop GNOME. É uma mudança muito mais profunda do que aquela que ocorreu com o lançamento do KDE 4, que ao meu ver não trouxe mudança nenhuma no sentido de uso geral do sistema, apenas deu uma organizada geral e deixou tudo muito mais bonito e transparente, assim como a sua inspiração, o Windows, fez no Windows Vista.

 Inicialmente muita gente pensava que o Unity seria um fork do GNOME, mas na verdade trata-se de um plugin do já conhecido Compiz, o desktop 3D do Linux.

Não sei (ou não lembro) exatamente o motivo do Ubuntu ter criado o Unity em vez de usar a versão 3 do GNOME, mas talvez tenha a ver com a demora do lançamento do mesmo, e mesmo após ter sido lançado, algumas pontas ainda precisam ser aparadas. Você pode dar uma lida em uma análise do GNOME 3 lá no Meio Bit. Por sinal, o Meio Bit também analisou o Unity e o comparou com o GNOME 3. Como não tive a oportunidade de usar este e fazer uma comparação, vale uma pena dar uma lida no artigo lá.

Em essência o Unity é uma barra no topo da tela, onde fica o menu principal, e um dock lateral onde você pode fixar aplicativos. Agora quando você maximiza uma janela, os botões de controle e o título da mesma vão para a barra do topo. as janelas dos aplicativos também não exibem o menu principal, que também foi para a barra e é exibido na barra do topo. Ao você sobrepor o mouse sobre o título da janela, o mesmo é substuído pelo menu.

Unity em toda a sua glória.

Agora a Área de Notificação controla muito mais os ícones que vão para lá, para que a barra não fique cheia de ícones e se torne difícil ou mesmo inútil para se manipular o menu das janelas.

O dock lateral exibe os programas que estão sendo executados no momento, e com um clique com o botão direito sobre o ícone do programa será exibido um menu de contexto, dando inclusive a opção de fixar o aplicativo na barra.

O menu principal pode ser aberto utilizando a tecla «super», a famosa tecla windows. ou então usando a combinação de teclas «super»+espaço. O que mais se destaca nele é um campo de busca para pesquisar aplicativos.

Críticas, observações e dicas do Unity

O Unity quando foi anunciado e também durante o período de testes teve muitas críticas. Algumas delas com fundamento, mas outras são apenas gente que não se adapta a mudanças, aí chega a conclusão que "está ruim", e que "teme pelo futuro do Ubuntu", etc. Algumas delas foram:

"O Unity é complicado, tenho que dar muitos cliques para chegar aos programas que desejo abrir"

 A príncipio quando eu li isso eu fiquei preocupado, porque como todo projetista de interface eu sei que cliques desnecessários podem ser cansativos e podem até definir o sucesso de uma aplicação. Mas felizmente isso não correspondeu a realidade. Como disse no início, o Unity é uma mudança de paradigmas. "Navegar" até o aplicativo é uma ação exploratória, que deve ser feita por usuários que não estão habituados ao sistema e não sabem exatamente o que estão procurando, por exemplo.

Usuários já habituados ao sistema devem ignorar completamente isso e utilizar a barra de pesquisa, que é muito mais rápido e eficiente. Quer abrir o Firefox? Aperte «super» e digite "fire", e todos os aplicativos que contém a palavra "fire" serão exibidos. É muito mais natural ao usuário que já sabe o que está procurando.

"Muitos aplicativos não não mais para a área de notificação"

Por muito tempo a chamada Área de Notificação foi uma uma segunda barra de janelas. Com a mudança do Unity, foi necessário controlar os ícones que vão para lá, caso contrário o excesso de ícones poderiam atrapalhar a experiência do usuário.

Parte do problema de ter alguns programas sempre a mão é resolvido pelo Dock, já que como não existe uma barra de listagem de janelas não faz muita diferença entre deixar um aplicativo em uma Área de Trabalho isolada ou mesmo aberto em segundo plano.

Contudo, alguns programas como o Parcellite (gerenciador de área de transferência) e o cliente do Dropbox não funcionam se não estiverem na área de notificação. Mas você pode adicioná-los lá segundo as instruções desta página. O Unity é um recém-nascido, e com seu amadurecimento devemos ganhar uma forma mais fácil de configurar isso.

"O Unity não tem opções de personalização"

De fato, o Unity tem aparência fixa, e não é possível personalizar o dock da mesma forma que um painel. Mas você pode instalar o Compiz Config (disponível na central de programas) e editar algumas configurações do Unity, inclusive se quiser mudar o local do Dock. Acredito que no futuro teremos mais formas de personalização do Unity.

Teclas de Atalho do Unity

Parece que o Unity foi pensado para ser utilizado sem o mouse. O que faz bastante sentido quando se utiliza um netbook, notebook, ou até mesmo um tablet sem teclado algum. De fato, mover alguns elementos da janela para uma barra aumentou consideravelmente a área útil da tela, o que faz muito sentido em um tablet ou notebook.

Por isso, o Unity possui uma série de teclas de atalho. Deixar de sabê-las ou não vai te impedir de utilizar bem o Unity, mas sabê-las vai te tornar um ninja! Abaixo, você pode baixar um papel de parede com todos os atalhos do Unity. Eu o peguei lá no site do André Gondim.

Papel de parede com as teclas de atalho do Unity - Ubuntu 11.04 Natty Narwall

Por hoje é só pessoal!

Nada disso!

Daqui a pouco vou postar uma pequena mas muito útil dica para usuários de placas de vídeo ATI que podem está sofrendo de lentidão no Ubuntu 11.04. Não postei diretamente aqui pois não quero criar um post maior do que já está.

Edit: Aqui está o post explicando como resolver a lentidão das placas ATI no ubuntu 11.04.

Então até já!

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Comentários

Matheus Wichman

Belo post, essa tabelinha de comandos é uma mão na roda pra mim que não usava o Ubuntu e agora com essa nova interface me confundiu tudo.

Lindberg

Ola Marcus

Instalei 11.04, mas vou ter que voltar para o 10.10.
- Impressoras não funcionam
- DRBL não instala
- onde fica o source.list

não gostei, estragou tudo de bom
- estou esperando a melhora

Luiz Santos

Caro Lindberg, da uma lida na review do 11.04 e descobriras que nessa versao antes de fazer o log in quando vc reinicia o sistema, voce pode optar pelo gerenciador de desktop "Gnome" , e voila, vc fica livre no Unity. Sinceramente ele é muito bom, principalmente de vc tem um netbook, te salva muito espaço. E caso nao saiba onde esta algo, va a pesquisa do Unity e escreva source.list.

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