Salvem meus amigos.
A esta altura do campeonato, eu acredito que meus visitantes desenvolvedores já devem está sabendo que foi divulgado durante a semana que o Internet Explorer 8, a próxima versão do mais usado e pior navegador do planeta passou no teste do Acid2, que é o teste que verifica o nível de suporte à CSS dos navegadores.
Quanto melhor formada o smile, maior o suporte às CSS. Atualmente, apenas o Opera para Windows detêm a honra de passar no teste. Pelo que fiquei sabendo, o Safari também passava, mas deixou de passar na última versão (apesar do suporte continuar beirando a perfeição). No Linux, além do Opera, existe também o Konqueror, que usa o Webkit, a engine do Safari (então existe a possibilidade do Konqueror estar na mesma situação do Safari). A sim, me falaram que o Firefox 3 beta também passa, mas não pude verificar.
Bom, e qual o motivo deste post? Comentei neste post do Henrique, do Revolução.etc que é uma ótima notícia, bla bla bla, e que esperava que a Microsoft aprendesse com os erros do passado e distribuísse o IE8 de forma mais eficiente e rápida possível (ao contrário do que foi a distribuição do IE7), para que no futuro próximo, só tenhamos que nos preocupar com a renderização do IE7 e olhe lá.
Acontece que, neste mesmo post, Mark de Souza Costa veio responder meu comentário (o dele é este aqui), afirmando que não concordava com meu comentário, e que nenhuma empresa de software gosta que seus produtos sejam pirateados.
Este post nasceu para responder ao colega.
Caro Mark, eu acredito que você me entendeu muito mal. Em primeiro lugar, eu quero dizer que concordo plenamente com você: pirataria é errado e nenhuma empresa de software gosta que seus produtos sejam pirateados (ao menos na teoria).
Estou confuso, não sei como você foi entender forma de distribuição como pirataria. Vou explicar meu ponto de vista, e espero que consiga fazer de forma mais clara possível.
Veja bem, atualmente todos os navegadores para desktop (bom, ao menos os relevantes) são distribuídos gratuitamente, independente deles serem open source ou de código fechado. O usuário simplesmente escolhe o navegador que deseja, baixa e usa. Porque que o Internet Explorer tem que ir contra a maré?
Porque o IE pode ser tudo, menos gratuito. Por ser irremovível do Sistema Operacional, ele possui um valor, que está agregado ao valor do SO. E, como este Sistema é o Windows, não é um valor barato.
Não estou defendendo que o IE seja portado para outros Sistemas Operacionais (aliás, Deus me livre!), mas que adote uma forma de distribuição mais independente do SO, como fazem os demais navegadores. É nesta parte que a pirataria poderia entrar na história, pois para que isso acontecesse, O IE8 deve estar disponível até para quem não pagou para usar o sistema.
Mas a Microsoft já está fazendo isso (apesar de que muito tardiamente) com o IE7? Se ela não gosta que seus produtos sejam usados por piratas, então porque ela liberou o download do seu naufragador para Windows não originais?
Existem outros motivos que justifiquem esta atitude (como os vários processos anti-truste nos últimos anos), mas eu acredito que a Microsoft percebeu que estava piorando o quadro para as aplicações online em geral. Quando os Padrões Web começaram a se propagar, os desenvolvedores quebravam a cabeça para deixar o site agradável visualmente em três versões do IE (além de outros navegadores, claro), o 5, o 5.5 e o 6. Felizmente as versões inferiores à 6 praticamente não são utilizadas mais.
Só que com o vindouro IE8 (que deve aparecer na metade do ano que vem, possivelmente depois do Firefox 3.5 e do Opera 10, se não atrasar), o quadro poderia voltar a se complicar. Seguindo a forma inicial de distribuição do IE7, no final de 2008 teríamos novamente três Internet Explorers, com níveis de suporte aos Padrões diferentes para nos preocuparmos.
A Microsoft, apesar de lenta de raciocínio, já percebeu que um dos futuros da Web é o dos serviços online, aplicações rodando remotamente e sendo executadas pelo navegador. Ela sabe disso e investe pesadamente na área. Seria complicada até para ela suportar tantas versões. Além disso, um dos segredos da adoção de uma ferramenta é ser amigável com todos. Mesmo a inimizade de uma comunidade menor, mas fiéis de uma plataforma, pode fazer com que a ferramenta não seja facilmente adotada.
Por isso, eu tenho esperanças de que o download do IE8 seja liberado para todos. Talvez até distribuído em um Service Pack da vida. Que esqueçam logo a idéia de que usar o IE8 é uma vantagem (porque não é de maneira nenhuma), uma exclusividade apenas daqueles que pagaram seu preço.
E antes que eu esqueça, um Feliz Natal para todos, espero que ganhem muitos gadgets do Papai Noel! :-D