Hoje fazem exatamente três anos que publiquei minha lista de desejos para o Sistema Operacional Linux. Em 2008 eu já era usuário do Ubuntu havia três anos. Hoje, eu já acumulo 6 anos utilizando o SO do pinguim. Muita coisa evoluiu (inclusive para direções inesperadas), mas infelizmente algumas também pararam no tempo.
Enfim, após três anos do artigo, o que mudou, afinal? Vamos analisar os tópicos originais e descobrir:
Criar uma maneira única de se instalar pacotes de programas: Infelizmente não houveram mudanças nesse sentido. Distribuições diversas usam diversas formas de empacotamento de programas, sendo que a maioria está polarizada nos formatos .deb ou .rpm.
Mas felizmente, não faz muita falta. Ainda defendo que deveria existir uma padronização neste sentido, faz muito sentido existir uma forma de empacotamento único, facilitaria a vida de muita gente. Porém, a distribuição de pacotes via repositórios evoluiu bastante, a ponto de simplesmente não há necessidade de entrar em um site de um aplicativo e baixar algo. O próprio gerenciador de pacotes se encarrega de baixar e instalar o programa.
Acabar com o "dependency hell": Esse é um tipo de problema que nunca mais me ocorreu. Novamente, culpa da evolução e população dos repositórios como forma de distribuição de programas. Todos os programas que necessito já se encontram disponíveis nos repositórios padrão do sistema ou mesmo em repositórios de terceiros.
Desenvolvedores, disponibilizem seus programas Open Source em pacotes pré-compilados: Sabe, lendo a lista original hoje, percebo que ela não é uma lista muito boa. De seis itens, quatro são relativos a instalação de programas, e três acabaram tendo como solução, a mesma coisa: os repositórios de pacotes. Grande parte graças à Canonical (empresa que está por trás do Ubuntu) e e sua plataforma de colaboração de software Launchpad. Este site, além das ferramentas comum de colaboração encontrados em outros sites do tipo, também oferece a compilação e hospedagem de pacotes .deb. Facilita a vida dos desenvolvedores e muitíssimo a vida do usuário final.
Levando isso em consideração essa evolução, imagino que o próximo passo seria um repositório padronizado, que possa servir vários tipos de pacote, de acordo com o requisitado pelo seu sabor de Linux. Sonhar é de graça, apesar de achar isso muito mais fácil de acontecer que uma eventual unificação do tipo de pacote.
Produtoras de hardware tendo um pouco mais de atenção com usuários Linux: Ponto sempre delicado. Por um lado, o próprio Kernel do Linux já adiciona muito suporte a vários tipos de hardware. A Canonical também adiciona vários drivers extras. Na grande maioria dos computadores e periféricos vendidos pelas maiores fabricantes (Dell, HP, Toshiba, etc), tudo é suportado out-of-box, ou em alguns casos, o driver é instalado após a detecção. Porém, hardwares de fabricantes mais genéricos e desconhecidos, hardware muito recente (e em alguns casos, muito antigo) ainda podem encontrar dificuldades em colocar sua máquina para rodar redondinha. Com sorte, você vai encontrar um driver fornecido na página da fabricante, ou um driver mantido pela comunidade para você se entreter por uma ou duas horas compilando ;-).
Produtoras de software passem a produzir para o Linux: Bom, se o Linux que você estiver se referindo não for o Android, então infelizmente, não. As grandes software houses não software para Linux para desktop. Não existe um Photoshop, MS Office (Pfff), CorelDraw (Pffff²). Jogos mainstream então nem pensar.
Contudo, sinto nenhuma falta dos softwares citados acima. A evolução natural dos programas nativos fez com que eles atendam completamente minha necessidade do dia-a-dia. E como eu já utilizo um notebook a muitos anos, acabei perdendo o interessante em jogos de computador, já que a maioria deles precisam de hardware mais recente e potente, e não dá para ficar trocando peças de um notebook, como se troca em equipamento desktop. O abandono dos games no computador foi definitivo após a compra de um Playstation 3.
E se você não sente a necessidade de jogar os games do momento, existem dúzias de games gratuitos ou muito baratos no Ubuntu Software Center (a "loja de apps" do ubuntu) disponíveis. Também existe agora a opção de adquirir games através do Desura, um sistema de distribuição de games estilo o Steam, mas voltado para games Indie.
Por fim, existe também a iniciativa Humble Indle Bundle, onde você pode pagar o valor que quiser e comprar um pacote de games indies. E parte do dinheiro arrecadado é doado para a caridade!
Interface de usuário um pouco mais polida: Taí um ponto que melhorou 100% em todos os sentidos. Tivemos o lançamento do KDE 4, e mais recentemente o GNOME 3, apresentamento não só uma nova interface, mas também um novo paradigma. Paralelamente ao GNOME 3 a Canonical lançou o Unity. Adorado por alguns e odiado por muitos, o Unity é um launcher de aplicativos + gerenciador de aplicativos abertos. A essa altura do campeonato é desnecessário dizer, mas é sempre bom frisar: o Unity não é um substituto do GNOME ou um fork do mesmo. O Unity roda sobre o GNOME 3.
Muita gente tem torcido o nariz para o GNOME 3 e especialmente o Unity (o KDE também sofreu com críticas, mas depois de algumas atualizações, eles diminuiram consideravelmente). Mas acredito fortemente que o desenvolvimento intenso dessas duas interfaces nos próximos meses deve resolver a maioria dos problemas e críticas. E também tenham em mente que o ser humano odeia mudanças... A medida que as pessoas forem se adaptando às novas interfaces, as críticas irão diminuir também.
Conclusão
Como podemos ver amigos, o Linux evoluiu muito em três anos, e o futuro apresenta perspectivas promissoras. Muitos dos problemas que destaquei no primeiro artigo estão sendo resolvidos, não da forma que eu esperava. É curioso notar também que talvez esses pretensos problemas e soluções talvez percam o sentido e importância nos próximos meses, pois estamos vivendo uma época de transição, onde o desktop perde cada vez mais espaço para a mobilidade.
A Canonical já anunciou uma futura versão do Ubuntu voltada para tablets e smartphones, e o fato de tanto o Unity quanto o GNOME 3 parecem ser feitos para navegação por gestos (juro que quase escrevia navegação dedal, mas abafa) não é gratuito.
Com este novo paradigma, novos problemas aparecerão, bem como novas soluções para eles. Não acho que o Desktop irá desaparecer, apenas perder importância, assim como os Sistemas Operacionais para este tipo de equipamento.